sábado, 12 de março de 2011

O Amor que a vida nos traz

Eu gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. Esse amor nem precisaria ser lindo, nem cheio da grana. Uma pessoa bacana, que gostasse de mim e fosse parceira já estaria ótimo. Eu queria um amor assim. É pedir muito? Claro que não, acredito que estou sendo até modesta demais.


O problema é que sempre imaginamos um amor ao nosso modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do cara, alguns itens de fábrica não podem faltar. O meu amor tem que gostar um pouco de cinema, teatro e ser bom de papo. E seria bom que gostasse dos meus amigos. Precisa ter um objetivo na vida. Bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Não estou pedindo um ator hollywoodiano.


Aí a vida bate à minha porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que eu esperava. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certo. Esse é o amor que me cabe. É meu. Se eu não gostar, posso colocar no lixo, posso passar adiante. E agora aqui estou eu, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a minha cara, nada do que eu imaginava e sonhava. E, por isso mesmo, um amor que me deixa em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que eu queria, um amor que me perturba e me confunde, que me irrita de vez em quando e me faz perder a cabeça. 



Um amor que a cada manhã me faz pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor permanece, um amor movido por situações que eu não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem vamos curtir e ver o que vai dar, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, me trouxe esse e devo saborear esse presente, esse suspense, esse amor que desconfio que não me pertence. Aquele amor em formato de coração, todo certinho, não apareceu.

Olhe pra mim vivendo esse amor a granel, não era bem isso que eu desejava, mas é o amor que me foi destinado, o amor que se esbarrou em mim numa balada, que eu nem queria saber o nome ou numero do celular; mas que continuou pela internet, o amor que era pra não durar. E eu tendo que explicar o que não se explica, eu nunca havia me dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja - ah, este me serviu direitinho! Aquele amor corretinho por mim tão esperado vai parar na porta de alguém que despreza amores corretos, a vida é mesmo astuciosa.

Assim são as entregas de amor, como uma promoção de domingo, mesmo eu nunca tendo escrito uma carta para participar de sorteios. Aquele amor que eu encomendei não veio! Agradeço e aproveito o que me foi entregue por sorteio!

Martha Medeiros (Adaptado por mim).

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