segunda-feira, 9 de abril de 2012

O que acontece no meio


No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco, mas a que nos revela a nós mesmos 

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa. 

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo. 

Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos. 

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa. 

Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte. 

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença. 

Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio. 

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo). 

Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo. 

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.
(Martha Medeiros)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O que ninguém vê


Estão todos olhando a moça passar. Falam de seu corpo, comentam seu mistério, disputam sua atenção. Mas se a moça olha, mudam de assunto, se a moça pede ajuda, ninguém escuta e se quiser companhia - coitada da moça! - vai continuar só.  Atrai olhares no trabalho e quando sai de noite também. Mas ela dorme sozinha e tem um vazio no peito que ninguém tem vontade de ocupar. A Menina tem um coração pesado que ninguém quer carregar.

Quem olha de longe não percebe e quem não se aproximar nunca vai saber: a Menina gosta livros e Jazz, queria saber dançar, troca uma balada pra assitir a Orquestra, gosta de andar até as pernas reclamarem, tem preguiça de filme cult e vê pequenos detalhes onde os outros enxergam cotidiano. E, acima de tudo, está cansada de tanto assustar e afastar as pessoas, cansada de esperar vidas se resolverem por uma promessa de futuro e ficar pra trás mais uma vez.

Quem vai cuidar da Menina triste? Quem vai levar de prêmio seu amor? Quem tem coragem de assumir o desafio e o coração pesado? Apostem suas moedas, esperem o próximo capítulo. Enquanto isso, a Menina também espera, e esperar dói. =\

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tempos sem aparecer por aki, andei sumida, vida corrida, etapas a serem concluídas, enfim vida metropolitana. Ô vontade de viajar sem ter data pra voltar, de ir pra algum lugar longe de tanta tecnologia, partir com apenas uma mochila e mais nada, sentir cheirinho de mato, tomar banho de cascata, conhecer novas pessoas, novos lugares, novos rumos, novos amores...
Eita necessidade de mudança que não passa! =)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Fora de mim

"Passei a ocupar meus dias pensando sobre o que, afinal, é isso que todo mundo enche a boca para chamar de amor, como se fosse algo simplificado: defina em meia dúzia de frases, é fácil querida.
É fácil? Pois a querida não entende como uma palavrinha simples formada por apenas duas vogais e duas consoantes pode absorver um universo de sensações contraditórias, diabólicas, insensatas, incandescentes e intraduzíveis.
O que é amor? Já tentei explicar a mim mesma e, por mais que tente, jamais conseguirei atingir a essência dessa anarquia que despensa palavras."
(Martha Medeiros)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pensamento

Durante algum tempo ela conseguiu se manter alheia as coisas que lhe aconteciam.
Tentou viver de uma maneira que pudesse superar qualquer situação. Preferiu se calar a ter que magoar o outro, decidiu aceitar os acontecimentos com resignação.
Suportou noites sem dormir, para ter aquela companhia ao seu lado embora estivesse muito cansada, pois poucas eram as oportunidades para estarem juntos, ouviu telefonemas insanos durante a madrugada e principalmente dividiu aquilo que ninguém jamais dividiria.
Durante dois anos muito se dedicou à aquela pessoa, sem nada exigir, sem nada cobrar, sem nada querer em troca, pois o gostar é assim... gratuito...
Só que ás vezes esquecia que as pessoas não são todas iguais, nem todos possuem aquele "Q", de gostar gratuitamente... e a menina que possuia o coração maior que o mundo deixou-se novamente ferir pelo egoísmo daquele que só pensava em si mesmo.